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Um Anel para a todos governar...” Sob a ação em torno desse anel o professor britânico John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) apresentou para a posteridade a saga de
O Senhor dos anéis, clássica trilogia de fantasia, considerada uma das melhores obras do século XX, conquistando gerações de escritores. O mestre inaugurou um gênero que tem em suas fileiras nomes como Frank Herbert, Terry Pratchett, J.K. Rowling e que cresce a cada ano. Entre as mais recentes narrativas, a italiana
Licia Troisi estreou com o mundo fantástico de
Crônicas do Mundo Emerso, trilogia que usa alguns arquétipos tolkinianos, como um antagonista conquistador de terras e maculador de almas ou os protagonistas, jovens que vivem seus dilemas enquanto passam por uma jornada de aventuras e perigos, mas que também utiliza outros artifícios para prender a atenção de seus leitores, numa linguagem sensível que une o enredo lúdico de ação com a abordagem psicológica do conflito interior de seus dois protagonistas adolescentes.
Continuando a temática, Troisi constrói em sua nova trilogia,
Guerras do Mundo Emerso (
Le guerre del Mondo Emerso), lançada recentemente no Brasil pela
Rocco, uma nova abordagem que utiliza uma protagonista do segmento anti-herói, uma jovem ladra de uma Guilda que apoiou o Tirano da primeira Trilogia, enquanto Nihal e Senar. A aventura ganha mais ação e mistério em relação à primeira trilogia e a testa por que a italiana é a mais popular e bem-sucedida autora de livros de fantasia de seu país. Em
A Seita dos Assassinos (
La Setta degli Assassini, tradução de Mario Fondelli, 448 págs.), se passaram quarenta anos da batalha que derrubou o Tirano, e o cenário se passa na Terra do Sol, governada por Dohor, um dos Cavaleiros do Dragão que lutou nesse conflito, que lentamente está expandindo sua influencia para as demais terras e subjugando-as. É neste momento que somos apresentado a Dubhe, garota que se tornará uma das melhores assassinas de todas as terras, que vivia numa pequena aldeia da Terra do Sol. Vivendo feliz com a família e os amigos, tudo muda quando tinha oito anos após uma desavença ela mata um de seus colegas de brincadeiras. A assembléia da aldeia condena a criança ao exílio na floresta. Após longos dias de caminhada, é encontrada por um ex-membro do famigerado culto A Guilda, dedicado ao Tirano-deus Áster. Assim a jovem aprenderá o trabalho do assassino, porém ela jurou nunca mais privar um ser humano da vida depois do acidente que a tornou órfã e sem pátria.
Agora com 17 anos mora em Makrat, onde se dedica ao trabalho de ladra. De um momento para o outro, ela passa a ser o centro das atenções na Guilda, e tenta a todo custo descobrir o porquê do interesse que desperta. Algo que levará a uma descoberta que acarretará a um terrível acontecimento. Em meio a sua investigação encontrará aliados nos lugares mais inesperados, mas, quando faz uma descoberta surpreendente, ela terá que decidir se sua vida vale tanto quanto o futuro do Mundo Emerso. A autora escreve, como já analisamos, uma narrativa com sensibilidade, com carência no lado descritivo, principalmente na construção das cenas, bem estereotipadas, mas que se supera pela profundidade psicológica, como a dor de matar um colega, o afastamento forçado dos pais, o sentimento de culpa que lhe acompanha, a solidão, a aflição, a angustia, a busca de identidade num mundo em mudança, entre outras matizes que fazem desta nova série, melhor que a anterior. Como no
release da editora diz, o leitor vai ser, mais uma vez, levado para uma terra distante, onde elfos, gnomos, dragões, ninfas e outros seres imaginários convivem, nem sempre em harmonia. Este primeiro volume de
Guerras do Mundo Emerso confirma tudo que se esperava da autora, após o sucesso da sua primeira trilogia,
Crônicas do Mundo Emerso.
Nota
Capa: 9,5
Originalidade: 9,0
Historia: 10
Narrativa: 9,0
Personagens: 8,5
Média: 9,2